Diretores imortais
Admiração e disciplina foram as marcas deixadas por esses educadores

Qualquer adulto, ao lembrar-se da sua época de escola, recorda-se dos professores mais carismáticos e das matérias preferidas. Mas a figura do diretor é uma das mais marcantes. Alguns são temidos, e outros se perseveram na memória dos rio-pretenses como exemplos de liderança e respeito.

Madre Marta Maria é uma dessas figuras inesquecíveis. Ela exercia sua função acreditando na educação como agente transformador. Aos seis anos de idade, Maria Aparecida Gonçalves tornou-se interna do Colégio das Sacramentinas, em São Carlos. Estudou no Colégio Santo André em São José do Rio Preto e em Jaboticabal, onde concluiu o curso Normal. Decidiu ser Irmã de Santo André e recebeu o nome de Marta Maria, que sempre conservou.

Em 1952, foi chamada à Casa-Mãe, na Bélgica, onde ficou por quatro anos. De volta ao Brasil, em 1962 foi nomeada diretora do Santo André em São José do Rio Preto, cargo que ocupou até 1981. Trabalhou com empenho na Escola de Pais, o que lhe permitiu viagens pelo Brasil, América Latina e Europa.

Durante todos esses anos, exerceu sua liderança de maneira forte e pessoal, foi amada e respeitada pelos jovens e adultos. “Todos tinham muito respeito pela diretora, que tinha uma figura de imponência, mas, ao mesmo tempo, era amável, doce e receptiva”, conta a Gerente de Marketing do Plaza Avenida Shopping, Eliana Ribeiro, que fez o ginásio no Santo André no final da década de 1970.

Madre Marta faleceu em 1992, aos 73 anos. Ainda enferma, recebia dezenas de visitas e era ela, sempre comunicativa e jovial, quem reconfortava os amigos. A escola municipal do bairro Santo Antônio recebeu seu nome em homenagem ao trabalho que ela desenvolveu na área da educação.

A mesma relevância na história do ensino em São José do Rio Preto tem o Padre Mariano de La Mata Aparício, que exerceu o cargo de diretor do Colégio Agostiniano São José entre os anos de 1958 e 1960. Padre Mariano nasceu na Espanha e ordenou-se sacerdote em 1930. Chegou ao Brasil no ano seguinte.

Depois de passar por colégios do interior e da capital paulista, estabeleceu-se como diretor do São José. Sempre alegre, disposto a cuidar dos enfermos e dos pobres, era um educador amigo dos alunos. Seu falecimento, em 1983, não apagou a memória do homem dedicado à religião e à educação.

O título de beato foi concedido ao padre em 2006, pela atribuição a ele de um milagre na cura de um aluno do Colégio São José, atropelado por um caminhão em 1996, durante uma excursão escolar. Padres agostinianos e a família invocaram ao Padre Mariano pela cura do garoto, que, após dez dias, estava restabelecido. Colégios públicos, como o Cardeal Leme, o Monsenhor Gonçalves e o Ezequiel Ramos, frequentados nas décadas passadas pelas famílias mais tradicionais da cidade, também tiveram educadores reconhecidos pelo amor ao ofício.

Anita Buchala dedicou-se dessa maneira ao ensino. Sempre humilde, desdobrava-se em diversas funções, além da função de diretora, para que o Instituto de Educação Monsenhor Gonçalves se mantivesse em ordem. Não era raro vê-la auxiliando na secretaria e em outros setores da escola.

A diretora colaborava com o trabalho em cada pilar da instituição. Formada em pedagogia pela USP, tratava os alunos com carinho e atenção, sempre buscando o respeito mútuo entre os jovens e os educadores.

Respeito era também a palavra de ordem na época em que Maria Luiza Oliveira Silva assumiu a diretoria do Colégio Cardeal Leme, entre 1954 e 1958. “Os alunos a viam como uma autoridade. Ela era muito exigente e atenta às necessidades de cada criança”, lembra a filha, Maria Dalva Pagotto, hoje no cargo de secretária geral da Unesp em São Paulo.

Empreendedora e sem receio de mudanças, mesmo com cinco filhos, Maria Luiza lecionou em diversas cidades. Passou por Presidente Venceslau, Mendonça, Igarapava e, em São José do Rio Preto, dirigiu, além do Cardeal Leme, a escola Ezequiel Ramos. Depois de aposentada, foi ainda professora no Monsenhor Gonçalves.

Em toda a sua trajetória, destacou-se pela atenção ao desenvolvimento pedagógico dos jovens. Diferente do que ocorria na maioria das escolas da época, aceitava a matrícula temporária das crianças que chegavam à cidade com o circo. O porte de autoridade não disfarçava sua simplicidade. “Estava sempre bem arrumada e elegante, mas sem luxo”, lembra Maria Dalva.

Serenidade e inteligência são qualidades inerentes a todos esses diretores que habitam as saudades de muitos rio-pretenses. Suas trajetórias são celebradas, até hoje, pelo empenho com que se dedicaram à formação intelectual e espiritual dos jovens da cidade.