Qualquer adulto, ao lembrar-se da sua época de escola, recorda-se dos professores mais carismáticos e das matérias preferidas. Mas a figura do diretor é uma das mais marcantes. Alguns são temidos, e outros se perseveram na memória dos rio-pretenses como exemplos de liderança e respeito.
Madre Marta Maria é uma dessas figuras inesquecíveis. Ela exercia sua função acreditando na educação como agente transformador. Aos seis anos de idade, Maria Aparecida Gonçalves tornou-se interna do Colégio das Sacramentinas,
Em 1952, foi chamada à Casa-Mãe, na Bélgica, onde ficou por quatro anos. De volta ao Brasil, em 1962 foi nomeada diretora do Santo André
Durante todos esses anos, exerceu sua liderança de maneira forte e pessoal, foi amada e respeitada pelos jovens e adultos. “Todos tinham muito respeito pela diretora, que tinha uma figura de imponência, mas, ao mesmo tempo, era amável, doce e receptiva”, conta a Gerente de Marketing do Plaza Avenida Shopping, Eliana Ribeiro, que fez o ginásio no Santo André no final da década de 1970.
Madre Marta faleceu em 1992, aos 73 anos. Ainda enferma, recebia dezenas de visitas e era ela, sempre comunicativa e jovial, quem reconfortava os amigos. A escola municipal do bairro Santo Antônio recebeu seu nome em homenagem ao trabalho que ela desenvolveu na área da educação.
A mesma relevância na história do ensino
Depois de passar por colégios do interior e da capital paulista, estabeleceu-se como diretor do São José. Sempre alegre, disposto a cuidar dos enfermos e dos pobres, era um educador amigo dos alunos. Seu falecimento, em 1983, não apagou a memória do homem dedicado à religião e à educação.
O título de beato foi concedido ao padre em 2006, pela atribuição a ele de um milagre na cura de um aluno do Colégio São José, atropelado por um caminhão em 1996, durante uma excursão escolar. Padres agostinianos e a família invocaram ao Padre Mariano pela cura do garoto, que, após dez dias, estava restabelecido. Colégios públicos, como o Cardeal Leme, o Monsenhor Gonçalves e o Ezequiel Ramos, frequentados nas décadas passadas pelas famílias mais tradicionais da cidade, também tiveram educadores reconhecidos pelo amor ao ofício.
Anita Buchala dedicou-se dessa maneira ao ensino. Sempre humilde, desdobrava-se em diversas funções, além da função de diretora, para que o Instituto de Educação Monsenhor Gonçalves se mantivesse
A diretora colaborava com o trabalho em cada pilar da instituição. Formada em pedagogia pela USP, tratava os alunos com carinho e atenção, sempre buscando o respeito mútuo entre os jovens e os educadores.
Respeito era também a palavra de ordem na época
Empreendedora e sem receio de mudanças, mesmo com cinco filhos, Maria Luiza lecionou em diversas cidades. Passou por Presidente Venceslau, Mendonça, Igarapava e,
Em toda a sua trajetória, destacou-se pela atenção ao desenvolvimento pedagógico dos jovens. Diferente do que ocorria na maioria das escolas da época, aceitava a matrícula temporária das crianças que chegavam à cidade com o circo. O porte de autoridade não disfarçava sua simplicidade. “Estava sempre bem arrumada e elegante, mas sem luxo”, lembra Maria Dalva.
Serenidade e inteligência são qualidades inerentes a todos esses diretores que habitam as saudades de muitos rio-pretenses. Suas trajetórias são celebradas, até hoje, pelo empenho com que se dedicaram à formação intelectual e espiritual dos jovens da cidade.