Com a propagação na mídia dos efeitos maléficos da ação do homem sobre o meio ambiente, cidadãos de todo o mundo já sabem que é preciso começar a agir. Enquanto os governantes e cientistas discutem alternativas para reduzir as agressões ao meio ambiente, despontam ações locais na tentativa de construir um futuro sustentável.
E o estado de São Paulo poderá servir de exemplo para todos os outros, caso seja aprovado um Projeto de Lei apresentado pelo deputado estadual Pedro Bigardi no final do ano passado e ainda em discussão. A proposta do Projeto é que seja concedido alvará somente para casas e prédios adaptados às novas regras de sustentabilidade. Entre essas regras, estão a redução do consumo de água e luz, implantação de sistemas de reutilização de água e captação de chuva, aquecimento solar e uso de lâmpadas de alta eficiência. Os condomínios, pontos de alto consumo de energia e recursos hídricos, estão na mira do projeto. Para a arquiteta paulistana Fernanda Toledo, coordenadora de Relações das Associações dos condomínios Damha, mesmo que haja elevação no custo das obras, os condomínios serão beneficiados com a consequente redução das contas de luz e água.
Pesquisas internacionais comprovam o os benefícios. Dados da United States Green Building Council apontam que os edifícios sustentáveis reduzem de 8 a 9% os custos de operação e aumentam em 7,5% o valor dos imóveis. O grupo Encalso, responsável pela construção dos residenciais Damha, projeta novos empreendimentos em que a sustentabilidade será ressaltada. Um deles é um parque tecnológico na cidade de São Carlos. As indústrias que serão instaladas no local deverão seguir regras para o funcionamento sustentável. “Condomínios mais antigos, com o de Rio Preto, já mantêm algumas medidas no sentido de evitar desperdícios, como a reutilização da água dos lagos artificiais para a irrigação e o máximo aproveitamento de recursos naturais de iluminação e ventilação. Mas devemos reforçar essa questão nos novos projetos”, aponta a arquiteta. Caso o Projeto de Lei seja aprovado, a fiscalização da obra deverá ser feita pelos governos municipais. Depois de entregue, os proprietários dos imóveis ou representantes legais dos condomínios serão os responsáveis pela manutenção das tecnologias ambientais.