Sei não, mas ainda tenho minhas dúvidas de que todas as mulheres tenham surgido de uma costela de Adão. Algumas que conheço me parecem bem mais dignas do que apenas uma costela. De tão guerreiras, incansáveis e perseverantes, penso que tenham sido criadas a partir de um músculo mais nobre, que o próprio homem desconhece.
Refrescantes, sábias, objetivas, devotas, abusadas, mulheres de todas as cores, de todas as raças, de todos os sabores. Lindas, feias, faceiras, magras, gordas, gays, sensuais, mulheres desiguais. E que bom que é assim, ficamos longe do fim.
E quando penso na mulher em si, logo me vem à mente a imagem de minha mãe, linda e guerreira nata. Exemplo de uma série de outras que não têm preguiça de acordar do berço esplêndido e gritar às margens de qualquer “Ipiranga” que a vida só vale a pena se nenhuma delas for submissa. Arrojadas, arranjadas, melodramáticas, sensíveis, corajosas, empreendedoras, joviais, senis, eloqüentes, efervescentes, mulheres de todos os dentes, atéias ou crentes, pra deixar a vida mais contente.
Mães, filhas, aprendizes, perdizes, autocráticas, democráticas, com ou sem minissaia, com ou sem botox, com ou sem paciência, são a prova de que nós, os derivados de Adão, somos todos seus escravos na compaixão.
E quanto de rima, de poesia e de perdão não cabe numa lauda quando a pauta é a mulher. Permita-se escrever e deixe os dedos correrem pelo teclado. É como se alguma, do lado de lá, suspirasse o alívio de todos os pecados.
De portas fechadas ou janelas abertas, livres ou encobertas, mulheres varonis. Onde quem quer vão, levam consigo todas as costelas. E não só aquela doada por Adão.
Beck é colunista do jornal BOM DIA Rio Preto e pode ser encontrado full time no Twitter @BeckBomDia